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	<title>verdadeira vontade &#8211; Olho do Sol</title>
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		<title>TOP 10 MITOS SOBRE VERDADEIRA VONTADE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[olhodoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2020 11:47:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biblioteca]]></category>
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<p><em>The original essay, ‘Top 10 Myths about True Will’, can be found in the original English in <strong><a rel="noreferrer noopener" href="http://www.lulu.com/shop/iao131/fresh-fever-from-the-skies-the-collected-writings-of-iao131/hardcover/product-21736542.html" target="_blank">Fresh Fever From the Skies</a> </strong>and <a rel="noreferrer noopener" href="https://iao131.com/2014/02/26/top-10-myths-about-true-will/" target="_blank">online</a>.</em></p>



<p>O conceito de “Verdadeira Vontade”, ou simplesmente “Vontade”, é fundamental para a Lei de Thelema desde que nosso princípio central é “Faça o que tu queres será o todo da Lei” (<em>AL</em>&nbsp;I:40), juntamente com “Tu não tens direitos senão fazer a tua Vontade” (<em>AL</em>&nbsp;I:42) e “Não há lei além de faze o que tu queres” (<em>AL</em>&nbsp;III:60). Thelema, apesar de tudo, significa “Vontade”.</p>



<p>Por ser Vontade um conceito central em Thelema há muitos equívocos sobre isso que limitam nosso entendimento assim como limitam nosso potencial para realizar e manifestar as nossas Vontades. Muitos desses mitos e equívocos estão altamente correlacionados, mas eles também são diferentes em sua ênfase e abordagem. A lista não pretende ser exaustiva ou completa, mas espero que possa levar a uma reflexão e clareza sobre a noção de Vontade. Mais fundamentalmente essa é uma lista curta destinada a desafiar alguns equívocos comuns sobre a Vontade, a fim de que possamos conhecer e realizar nossas Vontades mais livremente e com alegria.</p>



<p><strong>1) A Verdadeira Vontade é encontrada num determinado momento.</strong></p>



<p>O primeiro mito é que a Verdadeira Vontade é descoberta durante um evento distinto, num certo ponto da história. Isso significa que você não sabe qual é a sua Vontade, mas que num futuro você saberá, ao ter algum insight ou experiência, você de repente conhecerá sua Vontade. Em contraste, Crowley nos informou que “A Vontade é apenas o aspecto dinâmico do Eu…” (<em>Liber II</em>). Neste sentido, a Vontade é apenas a expressão de nossa Natureza. Entretanto de uma maneira pobre e incompleta nossa Natureza não pode deixar de se expressar de alguma maneira, o que quer dizer que: nós estamos sempre fazendo nossas Vontades até certo ponto, mas poderíamos fazer sempre um pouco “melhor”, no sentido de fazê-la mais completamente e com mais consciência. Mesmo se temos uma visão súbita ou que muda completamente a Natureza de nossas Vontades, isso não significa que esse entendimento não precisará mudar ou ser revisado no futuro.</p>



<p><strong>2) A Verdadeira Vontade é algo para ser encontrado num futuro distante.</strong></p>



<p>Relacionada ao primeiro mito é a noção de que Verdadeira Vontade não pode ser&nbsp;encontrada no presente, mas em algum ponto do futuro. Ou seja, se pensa “Eu não sei qual minha Vontade agora, mas espero que eu saiba no futuro”. Agora, é perfeitamente razoável acreditar que o conhecimento e entendimento da Vontade podem aumentar no futuro, mas, novamente, nós estamos sempre fazendo nossas Vontades até certo ponto. Isto é, a Vontade não é “encontrada”, mas nossa consciência e entendimento dela podem melhorar. Visualizando a Vontade como algo que se encontra no futuro, exclui o nosso potencial para fazermos nosso melhor para fazer nossa Vontade no momento presente. Podemos lamentar as nossas circunstâncias, acreditando que tudo ficaria bem se “conhecêssemos nossas Vontades”, ao invés de trabalhar em nós mesmos no momento presente para nos tornar mais conscientes e alegres com o que já está acontecendo. Isto é, nossos próprios conceitos sobre o que é Vontade nos impedem de ver o que já está aqui: todos nós somos estrelas (<em>AL</em>&nbsp;I:3) e Hadit, a chama de nossas Vontades, está sempre no centro de nosso Ser (<em>AL</em>&nbsp;II:6). É nosso trabalho ou dever descobrir como trabalhar com nós mesmos e nosso ambiente a fim de tornar a Verdade dentro de nós mais manifesta do que inerente.</p>



<p><strong>3) Você está fazendo sua Vontade ou você não está fazendo.</strong></p>



<p>A linguagem usada ao redor da Vontade é frequentemente “digital” no senso em que falamos sobre isso em “on ou off” (ligar ou desligar). Eu acredito que é mais efetivo e adequado pensar em Vontade em termos “análogos”, ou seja, que estamos fazendo nossa Vontade até certo ponto. A linguagem de “Verdadeira Vontade” implica esse tipo de dicotomia digital de verdadeiro ou falso. Por outro lado, a ideia de “Vontade Pura” é uma questão de graus. A totalidade “pura” da Vontade é 100% Vontade com nenhuma mistura ou contaminantes, assim como um suco puro é 100% suco – não há qualquer conotação moral. Podemos (por questão de explicação) dizer que podemos não estar fazendo 100% de nossa Vontade, mas podemos estar fazendo 30% ou 80% de nosso potencial até o momento. Isso coloca a responsabilidade em nós mesmos para tentar aprovar nossa Vontade ao máximo, na forma mais “pura” possível. Isso significa também que nós não precisamos pensar nos outros em termos deles estarem ou não fazendo suas Vontades; ao contrário, todos estão fazendo suas Vontade até certo ponto ou outro, e tudo o que temos de fazer é tentar nos esforçar intencionalmente para chegarmos ao ideal de Vontade 100%.</p>



<p><strong>4) Verdadeira Vontade é uma coisa única e imutável.</strong></p>



<p>A linguagem usada ao redor de Vontade implica que Vontade é algo único, por exemplo, “é minha Vontade ser um médico”. Na verdade, a ideia de Vontade ser certa carreira em particular é um dos mais comuns exemplos de equívocos. Um exemplo é Crowley falando neste sentido quando ele escreve: “virá o conhecimento de sua vontade finita, através da qual um é poeta, outro profeta, outro ferreiro, outro escultor.” (<em>De Lege Libellum</em>). O erro está em pegar a ideia de “Vontade = a carreira certa” literalmente do que metaforicamente. Ou seja, uma carreira é uma metáfora para o que você faz com a sua vida, acreditando ser adequado para as suas tendências, talentos e aspirações. Obviamente a Vontade não está confinada a uma simples carreira – especialmente nos dias de hoje em que a maioria das pessoas tem várias carreiras ao longo da vida – como aparentou ser a vida do próprio Crowley. Não seria correto dizer que era a Vontade de Crowley ser poeta porque iria negligenciar que ele era um mago, não seria correto dizer que foi a Vontade de Crowley ser um alpinista porque iria negligenciar que ele era um jogador de xadrez, etc. Na verdade, a Vontade é – como já mencionado – “o aspecto dinâmico do Self…” (<em>Liber II</em>). E dinâmico, ou seja, em constante movimento. Crowley reforça isso quando ele escreve que a Verdadeira natureza do Eu é mover-se continuamente, deve ser entendido não como algo estático, mas como dinâmico, e não como um substantivo, mas como um verbo” (Dever). Esta natureza dinâmica da Vontade é ainda implícita na linguagem que a descreve como “Movimento” como quando Crowley escreve que a Vontade é “o verdadeiro Movimento do teu ser mais íntimo” (<em>Liber Aleph</em>, capítulo 9).</p>



<p><strong>5) Verdadeira Vontade pode ser encapsulada completamente em uma frase.</strong></p>



<p>Conectada com os equívocos anteriores é a noção que Vontade pode ser completamente encapsulada numa frase. Uma vez que a Vontade é dinâmica, a sua natureza é de “Ir”, nenhuma frase pode sempre encapsulá-la completamente. Existem, certamente, benefícios por se encapsular a vontade numa frase como tendo um padrão conscientemente articulado pelo qual se pode julgar se um determinado curso de ação é expressivo ou impeditivo da Vontade. Por exemplo, pode-se formular a Vontade como “É minha Vontade que meu corpo seja saudável”, que pode atuar como um padrão pelo qual você vai determinar que comer junk food (comida que não é saudável) não faz parte da sua vontade (para todos os efeitos práticos). Dito isto, deve haver um entendimento de que a Vontade está, em ultima instancia, além da articulação verbal. Como se diz: “Também razão é uma mentira, pois há um fator infinito e desconhecido; &amp; todas as suas palavras são meandros” (<em>AL</em>&nbsp;II:32). A Vontade é suprarracional na medida em que não pode ser descrita com precisão ou completamente descrita pela faculdade da razão e do pensamento. Como Crowley disse: “[A mente] deve ser uma máquina perfeita, um aparelho para representar o universo de forma precisa e imparcial ao seu mestre. O Eu, a sua Vontade, e sua apreensão, deve estar totalmente além dela.” (Novo Comentário para&nbsp;<em>AL</em>&nbsp;II:28). A mente com seus pensamentos e razão é simplesmente uma parte do seu ser, a vontade é o Verbo de todo o nosso ser, então, naturalmente, uma pequena parte não pode inteiramente compreender e abranger o Todo.</p>



<p><strong>6) Verdadeira Vontade requer uma experiência mística.</strong></p>



<p>Em conexão com o Mito #2, existe a tendência em acreditar que o conhecimento da Vontade virá apenas com algum tipo de experiência mística, se o acredita (ou concebe) como o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião, iluminação, a travessia do Abismo, ou qualquer outra coisa. Embora possamos dizer que o Conhecimento e Conversação (ou outras experiências místicas) podem ajudar a esclarecer a Vontade ou se livrar de seus obstáculos, tais como o egoísmo excessivo, a Vontade pode ser tanto sempre presente ou trabalhada até certo ponto. A noção de que só pode se conhecer a Vontade através de experiências místicas negligencia o fato de que há muito modos simples, diretos e até mesmo “mundanos” nos quais podemos trabalhar em nós mesmos para fazer melhor e mais completamente a nossa Vontade. Por exemplo, alguém pode perceber que certo relacionamento não está mais funcionando, então ele se agita, sofre, se amargura e ressente. Pode-se então perceber que a fim de realizar a Vontade mais plenamente, é preciso terminar o relacionamento. “Oh amante, se tu queres, partes!” (<em>AL</em>&nbsp;I:41). Há muitas coisas em nossas vidas que sabemos, em algum nível, que podem ser alterados para decretar mais plenamente nossas Vontades, como se livrar de certos hábitos que já são conhecidos por serem problemáticos. Se isto é tão simples como “assistir menos televisão”, ou concreto como “largar os opiáceos”, ou mais sutil como “ser menos ligado às expectativas”, ou mais geral como “tornar-se mais consciente e menos reativo emocionalmente”, existem muitas maneiras de trabalhar em nós mesmos que estão disponíveis para todos, sem a menor experiência ou inclinação para experiências místicas. Ainda mais preocupante é “acreditar que apenas alguma experiência mística no futuro” pode ser usada como uma desculpa ou um “desvio espiritual” para evitar lidar com estas questões mais “mundanas”, como as emoções não processadas ou hábitos indesejáveis.</p>



<p><strong>7) Todos devem alcançar a Vontade.</strong></p>



<p>A crença geral difundida entre Thelemitas é que há certo tipo de “verdadeiro Thelemita” ou “Thelemita ideal”. Outro ensaio explica mais detalhadamente por que isso é um equívoco, mas, em suma ele depende de ter preconceitos sobre o que é “certo” e “errado” para a Vontade dos outros, quando toda a fundação de Thelema repousa sobre a noção de que cada indivíduo é único. Uma manifestação desse preconceito sobre o que é “certo” é a noção de que todos devem estar se esforçando para “atingir”, significando alcançar algum tipo de gnose mística ou iluminação. Na verdade, o Livro da Lei diz na mesma linha que seu lema central: “Quem nos chama Thelemitas não cometerá erro, se ele apenas observar bem de perto a palavra. Pois dentro dela existem Três Graus, o Eremita, e o Amante, e o homem da Terra. Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei” (<em>AL</em>&nbsp;I:40). Isto é explicado em A Visão e A Voz quando se diz: “O homem da terra é o devoto. O amante dá a sua vida para trabalhar entre os homens. O eremita caminha solitário dando aos homens apenas a sua luz.”. Não é inerentemente a Vontade de todos se tornarem um eremita e alcançar as alturas da iluminação espiritual. – Pode muito bem ser a vontade de alguém viver a sua vida sem se preocupar com essas coisas. Mais claramente o Livro da Lei diz que “a lei é para todos” (<em>AL</em>&nbsp;I:34). Essa insistência de que todos têm que “atingir” pode facilmente se transformar em forma de auto-superioridade espiritual que é contrário ao espírito da liberdade que permeia a lei.</p>



<p><strong>8) Sua Vontade não tem nada a ver com as outras pessoas.</strong></p>



<p>É típico conceber a Vontade como algo inerente ao individuo e que não tem nada a ver com as outras pessoas e suas circunstâncias. Eu acredito que isto é simplesmente uma falha de linguagem usada para descrever Vontade do que uma realidade. Nós todos somos incorporados em uma interconexão complexa de forças – somos todos estrelas na teia do Espaço Infinito – e ambos afetam e são afetados por tudo que nos rodeia: “Suas ações afetam não apenas o que ele chamou a si mesmo, mas também todo o universo.” (<em>Liber Librae</em>). Vendo como a Vontade é o aspecto dinâmico da nossa natureza, deve inerentemente se adaptar à situação ou circunstância em que se encontra. Crowley fala isso quando ele escreve que a vontade é “a nossa verdadeira órbita, como demarcada pela natureza de nossa posição, a lei do nosso crescimento, o impulso de nossas experiências passadas.” (Introdução ao&nbsp;<em>Liber AL</em>). A nossa “posição” muda constantemente e a Vontade é “marcada” em parte pela natureza de nossa posição. A nossa “posição” envolve o meio ambiente e as pessoas ao nosso redor. Praticamente qualquer tipo de articulação da Vontade – por mais que provisória ou experimental – deve incluir o meio ambiente ou outras pessoas de alguma forma. Para dizer “é minha vontade comer menos” envolve a comida em seu ambiente, dizendo “é minha vontade ser gentil” envolve a sua bondade para com outras pessoas, dizer “é minha vontade promulgar a Lei de Thelema” envolve aqueles a quem você irá promulgar etc. Mesmo dizer “é minha Vontade alcançar o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião” necessariamente requer que você crie adequadamente o ambiente propício para atingir esse objetivo. Na verdade algumas das melhores lições vêm de estar em sintonia com o seu ambiente e aqueles ao seu redor ao invés de ignorar a sua importância ou impacto. Se você estiver recebendo mensagens constantes na forma de dificuldades desnecessárias de quaisquer naturezas, talvez seja uma lição para alterar a forma como você está se adaptando ao seu ambiente, em vez de insistir mais fortemente no curso de seu caminho e apenas intimidando aos outros.</p>



<p><strong>9) Verdadeira Vontade significa que você estará livre do sofrimento.</strong></p>



<p>A ideia de Verdadeira Vontade, muitas vezes leva a noções utópicas e irrealistas quanto ao que Vontade vai realmente parecer. A ideia de que fazer a Vontade liberta do sofrimento é irrealista em vários níveis. Em primeiro lugar, o sofrimento é inerente à existência de alguma forma ou de outra, na medida em que todos nós ficamos doentes, sofremos perdas, envelhecemos, sofremos prejuízos e morremos. Nós sempre vamos encontrar algum tipo de resistência ou dificuldade em nossas vidas. Isso não deve ser visto como uma espécie de marca de fracasso em sua tentativa de fazer a tua Vontade, mas sim, essas ocorrências inevitáveis de sofrimento, resistência e dificuldade são os meios pelos quais nós aprendemos e crescemos. Como se diz, “Tu então que tens provas e problemas, regozija-te por causa deles, pois neles está a Força e por meio deles é aberta uma trilha àquela Luz… pois quando maior for tua prova, maior o teu triunfo” (<em>Liber Librae</em>). Essa ideia de que “fazer a sua Vontade = sem sofrimento” também depende da noção de que a Vontade seja “on” ou “off”, como mencionado no Mito n°3: mesmo que estejamos no modo de “Vontade 100%” por um tempo, todos nós, inevitavelmente, erramos, encontramos dificuldades imprevistas, ou simplesmente “escorregamos” e não fazemos o melhor que podemos. Além disso, o próprio desejo de ser livre do sofrimento é, em certo sentido, uma ideia do Antigo Aeon: Thelemitas não procuram transcender o mundo material, se isentar do Samsara, ou até mesmo evitar o sofrimento. Reconhecemos a realidade como ela é, sem insistir em estar de acordo com os nossos ideais a priori assim como ao “como o mundo deveria ser”. Nós aceitamos o sofrimento e as dificuldades da vida como “molho picante ao prato do Prazer” (<em>Liber Aleph</em>, capítulo 59). Eu acredito que é mais correto dizer que fazer a própria Vontade significa que você vai estar livre de uma grande dose de sofrimento desnecessário. Uma grande parte do nosso sofrimento não é de fato inerente ou necessária, mas nós, através dos nossos vários hábitos e pobres equívocos, nos sujeitamos à dificuldade que pode ser evitada em grande parte ou totalmente, se nos tornarmos mais conscientes e em sintonia com as nossas Vontades.</p>



<p><strong>10) Verdadeira Vontade significa estar livre de conflito.</strong></p>



<p>Conectada ao mito anterior é a noção de que fazer a própria Verdadeira Vontade significa que estará livre de todos os conflitos. Isso geralmente é baseado ao fato de que o Livro da Lei diz: “tu não tens direito senão fazer a tua Vontade. Faça isso e nenhum outro dirá não” (<em>AL</em>&nbsp;I:42 – 43) e Crowley escreveu que “[a lei] parece implicar uma teoria que, se cada homem e cada mulher fizesse a sua Vontade – a Verdadeira Vontade – não haveria conflito” (<em>Liber II</em>). Realisticamente, sempre haverá pessoas que “dizem não”, independentemente do grau em que você está fazendo a sua Vontade, e sempre será “conflitante”. A questão real vem de uma compreensão do “confronto”. Se confronto significa conflito interpessoal na forma de desacordo ou argumento, nunca haverá um fim a este a menos que todos nós nos tornamos autômatos, irrefletidos – o qual certamente não é o objetivo da Lei da Liberdade. Semelhante ao mito anterior, eu acredito que é mais correto dizer que fazer a própria vontade significa que você estará livre de uma grande quantidade de conflitos desnecessários. Grande parte do nosso conflito com os outros dependem da nossa insistência em saber o que é “certo” para os outros, as nossas próprias expectativas e normas impostas aos outros, insistindo em manter uma posição baseada numa autoestima do ego e identidade que está amarrada com a nossa posição e muitos outros erros que se afastam naturalmente na medida em que nos concentramos em nossa Vontade ao invés de discutir. Talvez essa seja a razão para sermos ensinados a “não discutir, não converter; não falar em demasia” (<em>AL</em>&nbsp;III:42). Novamente é um tipo de fantasia do Velho Aeon o mundo ou a vida de alguém ser livre de conflitos. Eu acredito que a aceitação e o envolvimento com o conflito é uma marca distintiva de uma pessoa que tem uma mentalidade do Novo Aeon, ao invés do Velho Aeon. Como Crowley escreveu, “O combate estimula a energia viril ou criativa” (Dever). Mesmo as formas mais triviais e mundanas de conflito, como equipes rivais em esportes ou pontos de vistas opostos em um debate, permitem que a diversão do jogo esteja em primeiro lugar. Ao invés de procurar ser livre de conflitos, podemos fazer melhor examinando os conflitos em nossas vidas e determinando até que ponto eles são o resultado da nossa incapacidade de concretizar plenamente a nossa Vontade, a fim de viver mais plenamente e com alegria.</p>



<p>O que todos esses 10 mitos implicam é uma visão da Vontade como algo sempre presente até certo ponto, sempre dinâmico e mutável, sempre capaz de ser trabalhado, e, trabalhado independentemente de ter experiências místicas ou não, embutido dentro do contexto do nosso ambiente e outros indivíduos, e aceitar o sofrimento e o conflito como coisas inerentes a existência, coisas mais para serem trabalhadas do que evitadas. Esta lista não é exaustiva de qualquer maneira, e há, obviamente, muitas nuances para a ideia de Vontade e muitas outras maneiras de compreendê-la. No entanto, espero que desafiar algumas dessas ideias como mitos ou equívocos possa libertar o nosso pensamento a fim de tornar-se consciente do grande potencial em cada momento de decretar e regozijar em nossas Vontades.</p>



<p><em>Amor é a lei, amor sob vontade.</em></p>
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		<title>A luz é só uma:  Plotino e a Verdadeira Vontade</title>
		<link>https://olhodosoloto.org/a-luz-e-so-uma-plotino-e-a-verdadeira-vontade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[olhodoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<span class="rt-reading-time" style="display: block;"><span class="rt-label rt-prefix">Tempo de leitura estimado:</span> <span class="rt-time">7</span> <span class="rt-label rt-postfix">mins.</span></span> Reflexão sobre a noção de Verdadeira Vontade para além da obra de Aleister Crowley, a partir dos ensinamentos do filósofo neoplatônico Plotino.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<span class="rt-reading-time" style="display: block;"><span class="rt-label rt-prefix">Tempo de leitura estimado:</span> <span class="rt-time">7</span> <span class="rt-label rt-postfix">mins.</span></span>
<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>“Pois as cores são muitas, mas a luz é só uma.”<br>(Liber LXV)</em></p></blockquote></figure>



<p class="has-text-align-right" id="E143"><em>“</em><em>Pois vontade pura,&nbsp;desembaraçada&nbsp;de propósito, livre da ânsia de resultado, é toda via perfeita.&#8221;</em><br><em>(AL I:44)</em></p>



<p class="has-text-align-right" id="E150"><em>“Pois produzir (criar) é fazer uma forma existir &#8211; isto é, preencher todas as coisas com contemplação.”</em><br><em>(Plotino. Eneada III:8)</em></p>



<p class="has-text-align-justify" id="E165">Neste texto irei propor uma reflexão sobre a noção de <strong>Verdadeira Vontade</strong> para além da <strong>obra de Aleister Crowley</strong> e de outros thelemitas contemporâneos, procurando fazê-la a partir dos ensinamentos do filósofo neoplatônico <strong>Plotino</strong>. A reflexão, longe de ser impessoal, traduz um elemento importantíssimo na minha própria jornada dentro de Thelema, que procura, acima de tudo, dialogar o meu entendimento do <em>Liber AL</em> com filosofias e pensamentos de outros tempos, com paradigmas culturais completamente diferentes dos nossos. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E165">De fato, considero que Thelema transcende em muito a obra do Mestre Therion, podendo ser percebida, através de diversos prismas diferentes, através de inúmeros sistemas filosóficos, místicos e espirituais. Desta maneira, em minha caminhada pessoal, Plotino se transformou em uma referência importante, um catalisador na minha compreensão de mundo, principalmente na relação existente entre a via contemplativa (espiritual) e a via da <em>práxis</em> (estar no mundo). Relação esta importantíssima, a meu ver, para o desenvolvimento da noção de Verdadeira Vontade, entendida principalmente enquanto manifestação do potencial divino-criativo do indivíduo no <em>cosmos</em> a sua volta. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E165">Entendo a Verdadeira Vontade, portanto, a partir de <strong>Plotino e de Mestre Therion</strong>, como o engajamento contemplativo do <strong>ente no mundo</strong> – a transformação incandescente da vida no mais sublime <em>sacramento</em>, ou, na linguagem neoplatônica, no mais perfeito ato de <em>Theurgia </em>(θεουργία)<em>.</em></p>



<p class="has-text-align-justify" id="E217">Para tanto, também deixarei subentendido neste texto a importância da noção de “transcendência na imanência”, ao meu ver, tão cara à obra do Mestre Therion, e um elemento fundamental da filosofia neoplatônica, escola da qual Plotino foi um dos mais ilustres representantes. Em um tempo caracterizado pela dessacralização excessiva da jornada da vida, considero o diálogo com a tradição sacra dos antigos um elemento importante para um remodelar da nossa autopercepção enquanto sujeitos no cosmos e, portanto, participantes do drama sagrado universal. Para tanto, necessito iniciar este texto com uma breve explicação do sentido de “filosofia” para os antigos, de modo que possamos desconstruir os nossos pré-conceitos em relação a este termo e às práticas a ele vinculadas.</p>



<p><img fetchpriority="high" decoding="async" width="663" height="392" data-attachment-id="368" data-permalink="https://olhodosoloto.org/a-luz-e-so-uma-plotino-e-a-verdadeira-vontade/b11a70cf-8635-421f-92e6-d5925344c352/" data-orig-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/b11a70cf-8635-421f-92e6-d5925344c352.jpg?fit=663%2C392&amp;ssl=1" data-orig-size="663,392" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="plotino e a verdadeira vontade" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/b11a70cf-8635-421f-92e6-d5925344c352.jpg?fit=300%2C177&amp;ssl=1" data-large-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/b11a70cf-8635-421f-92e6-d5925344c352.jpg?fit=663%2C392&amp;ssl=1" class="wp-image-368" style="width: 900px;" src="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/b11a70cf-8635-421f-92e6-d5925344c352.jpg?resize=663%2C392&#038;ssl=1" alt="plotino e a verdadeira vontade" srcset="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/b11a70cf-8635-421f-92e6-d5925344c352.jpg?w=663&amp;ssl=1 663w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/b11a70cf-8635-421f-92e6-d5925344c352.jpg?resize=300%2C177&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 663px) 100vw, 663px" data-recalc-dims="1" /></p>



<h2 class="wp-block-heading">Filosofia como modo de vida</h2>



<p></p>



<p class="has-text-align-justify">A filosofia antiga, diferente do que entendemos hoje por “filosofia” (isto é, um conjunto de explicações ou saber teórico sobre o mundo), era para os gregos, um modo de vida (τεχνη του βιου), uma maneira de experienciar o mundo e de interagir com os múltiplos elementos da existência. Aderir a um movimento filosófico era exemplificado pelo termo ἐπιστροφή (conversão/retorno) no sentido não de uma aderência a um sistema de crenças ou grupo, mas de mudança radical na própria estrutura da vida, transmutação da personalidade, renascimento. </p>



<p class="has-text-align-justify">Para Platão, Pitágoras e os filósofos da Era Imperial, a filosofia era a verdadeira “iniciação”, o descortinar dos mistérios, a transformação completa e total da vida do indivíduo. Para os neoplatônicos, em especial, a conversão filosófica era a conversão (retorno) à unidade divina, existente (mas esquecida) na psique humana. Como Ulisses, o filósofo era um amante de Atena (a Sabedoria), em sua eterna busca marítima pelo retorno à sua própria casa, ao amago essencial de seu ser.</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E266">Dentre os inúmeros termos empregados pelos filósofos para se referir aos diversos elementos e práticas da vida filosófica, encontramos referência à dialética, à terapia da alma (ψυχοθεραπεία), à <em>theurgia</em> (práticas rituais dedicadas a ampliar a unicidade com o divino), ao cultivo da atenção (προσοχή), assim como à inúmeras práticas ascéticas e exercícios filosóficos-espirituais. </p>



<p class="has-medium-font-size"><strong>Theoria e Práxis</strong></p>



<p class="has-text-align-justify" id="E266">O mais importante deles, no entanto, entendido no platonismo não como uma prática, mas como a consecução de todas elas, é a <em>θεωρῐ́ᾱ (theoría) </em>termo grego que se aproxima de “visão”, mas que é traduzido para o latim e, consequentemente para o português, como “contemplação”. A <em>theoría </em>(contemplação) do primeiro princípio de toda a realidade é a experiência máxima da vida filosófica neoplatônica, considerada um caminhar em direção à níveis cada vez mais intensos de contemplação. A contemplação é suprarracional, transcendendo os limites da linguagem, da razão discursiva, da individualidade. É uma experiência <em>numinosa</em>, que só pode ser compreendida justamente por aquele que contempla. É uma dádiva, segundo Plotino, do Deus Eros, e a consecução de décadas de treinamento filosófico-espiritual.</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E307">Esta visão/contemplação que caracteriza a experiência máxima da filosofia neoplatônica não pode ser entendida como uma visão literal, o presenciar de alguma imagem ou objeto de concentração. Ela é a transcendência de todo objeto, assim como a aniquilação de qualquer sujeito no ato de contemplar. Um professor de neoplatonismo que tive comentou certa vez conosco que só pôde ter um entendimento do que seria a contemplação neoplatônica dez anos depois da conclusão de seu doutorado sobre o assunto – isto é, cerca de vinte anos depois de iniciar seu aprofundamento/estudo no tema. A theoría é divina e filosófica, sendo, segundo Platão, o modo de vida/existência (ζωή) dos Deuses, assim como das partes mais elevadas da alma humana.</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E319">Em níveis mais profundos, no entanto, todos nós já estamos em contemplação, unidos e aniquilados no princípio primeiro, basta apenas tomarmos consciência deste processo que se dá no atempo &#8211; <em>α</em>ἰών (<em>aíon</em>/eternidade). O processo então envolve uma transformação gradual da atenção que, antes focalizada meramente nos objetos da sensação (os cinco sentidos), através da vida filosófica, pode abstrair dos sentidos e dos objetos das representações mentais para mergulhar em contemplação profunda. No linguajar platônico, o filosofo assim assemelha-se à Deus, pois participa da forma (essência) da sua divindade, que é experienciar o mundo em contemplação (theoría).</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E343">Durante toda a história da filosofia grega houve, contudo, uma oposição forte entre a noção de theoría (contemplação) e práxis (ação). A vida contemplativa do filósofo se distanciava da vida prática do artesão, do guerreiro e do artista. O repouso contemplativo se opunha, no pensamento grego, à atividade criativa no mundo. É em Plotino, no entanto, que essa dualidade será desfeita, e estes conceitos encontrarão sua expressão máxima: pois para o filósofo greco-egipcio, theoría e práxis são as duas faces de um mesmo processo – são, em muitos casos, quase sinônimos.</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E365">Plotino entendia que o ato de contemplação realizado pelos Deuses (ou, mais especificamente, pelo <em>Nôus</em>, a essência de todas as divindades) criara, automaticamente, o nosso mundo, a <strong>totalidade do real</strong>. O mundo é, portanto, uma criação contemplativa. Ao contemplar a beleza do Uno, o Demiurgo criou, sem motivo aparente, a existência, apenas para gozar do ato de sua contemplação. O cosmos é uma oferenda do Demiurgo e dos Deuses ao Uno.</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E376">Práxis e Theoría são, para Plotino, os dois lados de uma mesma moeda. Nossa ação criativa no mundo é uma contemplação da parte mais profunda de nossa alma; e nosso contemplar implica sempre em uma ação (criação) em nossa existência. Por este motivo, os grandes contempladores são aqueles que, como demiurgos, produziram grandes obras para o mundo – obras de arte, grandes sistemas espirituais e filosóficos, entre outros. Do mesmo modo, a ação criativa do artesão, do escultor, do tecelão, do guerreiro, do amante, são obras de contemplação. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E376">Elas evidenciam e externalizam a contemplação interna que já jaz em nosso âmago. Nossa ação no mundo expressa a nossa contemplação mais íntima. Não há cisão entre o mundo do espírito (<em>noético</em>, contemplativo) e o mundo da criação material (<em>práxis</em>). Ambos são partes de um todo contínuo – interno e externo se expressam como manifestações de um mesmo real. Tudo é theoría, tudo é contemplação. Em nós, seres humanos, nossas maiores ações contemplativas são aquelas, no entanto, que fazemos pelo próprio ato de fazer – desembaraçadas de sentido, livres de ânsia de resultado, são ações que contém em si a própria finalidade do fazer. </p>



<p><img decoding="async" width="615" height="350" data-attachment-id="369" data-permalink="https://olhodosoloto.org/a-luz-e-so-uma-plotino-e-a-verdadeira-vontade/cf55d0c6-7ef5-411c-a461-7da49b0a11b4/" data-orig-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/cf55d0c6-7ef5-411c-a461-7da49b0a11b4.jpg?fit=615%2C350&amp;ssl=1" data-orig-size="615,350" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="verdadeira vontade" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/cf55d0c6-7ef5-411c-a461-7da49b0a11b4.jpg?fit=300%2C171&amp;ssl=1" data-large-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/cf55d0c6-7ef5-411c-a461-7da49b0a11b4.jpg?fit=615%2C350&amp;ssl=1" class="wp-image-369" style="width: 900px;" src="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/cf55d0c6-7ef5-411c-a461-7da49b0a11b4.jpg?resize=615%2C350&#038;ssl=1" alt="verdadeira vontade" srcset="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/cf55d0c6-7ef5-411c-a461-7da49b0a11b4.jpg?w=615&amp;ssl=1 615w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/cf55d0c6-7ef5-411c-a461-7da49b0a11b4.jpg?resize=300%2C171&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 615px) 100vw, 615px" data-recalc-dims="1" /></p>



<p class="has-medium-font-size"><strong>A manifestação da Verdadeira Vontade</strong></p>



<p class="has-text-align-justify" id="E376">O verdadeiro artista que cria não <em>para </em>vender, tendo por finalidade o lucro da venda, mas sim para o próprio ato de criar, o faz de modo contemplativo. A obra criativa de sua vida é o resultado material de sua contemplação mais interna, assim como esse mundo – com todos os seus componentes – são frutos da ação contemplativa do Demiurgo Universal.</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E395">O pensamento plotiniano evidencia a sacralidade demiúrgica da vida. Não cinge a contemplação e a práxis em dois hemisférios separados, mas percebe-os como fundamentos de um mesmo existir. As ações dos deuses no mundo são suas contemplações; assim também as nossas. Nossas vidas, fragmentadas no tempo e vividas um momento de cada vez, com todas as suas cores e jogos de luz e sombra, são nossas oferendas particulares ao Deus que habita em nós (e que nós habitamos). </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E395">Cabe a nós percebermos a particularidade do nosso agir no mundo, aquilo que Eros nos convida a realizar, a obrar, desinteressadamente, renunciando aos frutos, mas simplesmente pelo gozo de realizar e ceder uma oferenda à divindade. Assim como a obra de arte contém sua finalidade em si mesma, em seu próprio ato de ser, que assim também a nossa vida possa ser um fim em si mesmo, uma dança contemplativa aos Deuses – o manifestar da Verdadeira Vontade que arde em nossos corações.</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E403">Plotino, apesar de genial, está, no entanto, apenas externalizando uma característica natural do pensamento grego e antigo de um modo geral. As tarefas da vida humana são atos contemplativos por excelência; os Deuses são contemplados em cada ato de ser. Deste modo, a atividade do artesão é uma contemplação à Atena, assim como as danças militares manifestam a theoría da Deusa. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E403">O ato de beber vinhos e festejar é a práxis-contemplativa de Dioniso, o embriagar no néctar que nasce do bosque de Sua divindade; amar eroticamente alguém é um desejo interno por contemplar Afrodite e Eros; tocar a lira e declamar oráculos é um anseio pela contemplação de Apolo; emigrar no oculto, pelas encruzilhadas do mistério, é a oferenda humana à Hermes, produto da nossa contemplação.</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E418">Com a alienação do trabalho pós revolução industrial, tão bem descrita pelos autores marxistas, nós perdemos a capacidade de nos conectar contemplativamente com o nosso potencial criativo no mundo. Os Deuses não abandonaram os bosques – nós que paramos de procurá-los. Que, assim como nos ensina Plotino, possamos viver uma vida contemplativa, em que cada ato de Vontade não seja outra coisa senão um retorno aos Deuses, às essências inomináveis do Ser. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E418">Que possamos ser cálices para a manifestação da Verdade Vontade no mundo, Demiurgos embriagados com o néctar da nossa criação-contemplação. Que nossa vida seja o nosso grande <strong>Ritual Theurgico aos Deuses</strong>, nossa própria obra de arte no mundo, o grande ato de amor sob vontade – o <strong>beijo do Santo Anjo Guardião</strong>.</p>



<p>Por <em>Frater Nihil</em></p>



<p id="E431"><strong>Bibliografia:</strong></p>



<p id="E433">BARACAT, Junior. <strong>Plotino, </strong><strong>Enéadas</strong><strong> I, II e III; Porfírio, Vida de Plotino. Introdução, tradução e notas.</strong> Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Campinas. 2006<br>BRANDÃO, Bernardo. <strong>Ascensão e Virtude em Plotino</strong>. Tese de Doutorado em História da Filosofia. UFMG.<br>_________________. <strong>Mística e Filosofia em Plotino</strong>. Tese de Mestrado em História da Filosofia. UFMG.<br>CROWLEY, Aleister. <strong>Magical</strong><strong> </strong><strong>and</strong><strong> </strong><strong>Philosophical</strong><strong> </strong><strong>Commentaries</strong><strong> </strong><strong>on</strong><strong> The Book </strong><strong>of</strong><strong> </strong><strong>the</strong><strong> Law</strong>.<br>HADOT, Pierre. <strong>Exercícios Espirituais e Filosofia Antiga</strong>. Ed. É Realizações. 2014.<br>REALE, Giovanni. <strong>Renascimento do Platonismo e do </strong><strong>Pitagorismo</strong>. Edições Loyola. 2008.</p>



<p id="E503">______________. <strong>Plotino e Neoplatonismo.</strong> Edições Loyola. 2008.<br>UZDAVINYS, Algis<strong>. </strong><strong>Philosophy</strong><strong> as a </strong><strong>Rite</strong><strong> </strong><strong>of</strong><strong> </strong><strong>Rebirth</strong>: From Ancient Egypt to Neoplatonism. 2008.</p>
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