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		<title>Um Banquete ao Amor: um diálogo entre Platão e Thelema &#8211; II</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Dec 2020 20:57:33 +0000</pubDate>
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<p><strong>PARTE II: PAUSÂNIAS E A DEUSA CELESTE</strong></p>



<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-right"><p><em>Acima, o azul gemado é</em></p><p><em>O esplendor nu de Nuit;</em></p><p><em>Ela se curva em êxtase para beijar</em></p><p><em>Os ardores secretos de Hadit.</em></p><p><em>O globo alado, o azul estrelado,</em></p><p><em>São meus, Ó Ankh-af-na-khonsu!</em></p><cite>(AL I:14)</cite></blockquote>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1000" height="667" data-attachment-id="458" data-permalink="https://olhodosoloto.org/um-banquete-ao-amor-um-dialogo-entre-platao-e-thelema-ii/8e431bdc-cae3-44de-a71a-9c67d05220dd/" data-orig-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/8e431bdc-cae3-44de-a71a-9c67d05220dd.jpg?fit=1000%2C667&amp;ssl=1" data-orig-size="1000,667" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="BANQUETE AO AMOR: UM DIÁLOGO ENTRE PLATÃO E THELEMA" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/8e431bdc-cae3-44de-a71a-9c67d05220dd.jpg?fit=300%2C200&amp;ssl=1" data-large-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/8e431bdc-cae3-44de-a71a-9c67d05220dd.jpg?fit=688%2C459&amp;ssl=1" src="//i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/8e431bdc-cae3-44de-a71a-9c67d05220dd.jpg" alt="" class="wp-image-458" srcset="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/8e431bdc-cae3-44de-a71a-9c67d05220dd.jpg?w=1000&amp;ssl=1 1000w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/8e431bdc-cae3-44de-a71a-9c67d05220dd.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/8e431bdc-cae3-44de-a71a-9c67d05220dd.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 688px) 100vw, 688px" /></figure>



<p class="has-text-align-justify">Após apresentar, através do discurso de Fedro, que você confere no <a href="http://Um Banquete ao Amor: um diálogo entre Platão e Thelema – I – Olho do Sol (olhodosoloto.org)">artigo anterior (Parte I)</a>, o Amor (Eros), enquanto a força impulsionadora da excelência humana, Platão irá, através de Pausânias, corrigir e aprofundar alguns aspectos do discurso anterior. Em fato, o discurso do político Pausânias se eternizará na história da filosofia e da mística amorosa, por se tratar da primeira reflexão no diálogo que apontará para a existência de mais de um tipo de Amor. </p>



<p class="has-text-align-justify">Isto é, o Amor passará a ser entendido como uma divindade capaz de comportar vários níveis de realidade diferenciados em si. Existe uma sofisticação, um aprofundamento, um refinamento da experiência erótica, que agora se torna capaz de expressar as mais variadas facetas dentro de seu mistério.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A Deusa que é Duas</strong></h3>



<p></p>



<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-right"><p><em>Nenhuma, sussurrou a luz, esvaída &amp; feérica, das estrelas, e duas.</em> <em>Pois estou dividida por causa do amor, pela chance de união.</em></p><cite>(AL I: 28-29)</cite></blockquote>



<p class="has-text-align-justify" id="E266">Notável, e sempre lembrada quando se trata de Platão, é a asserção de Pausânias de que, assim como o Amor (Eros) acompanha Afrodite, e Afrodite não é uma, mas duas, o Amor também será, assim, dois amores: um que será chamado de Amor Terrestre e o outro Amor Celeste. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E266">A apresentação feita por Pausânias é teológica, recorrendo aos mistérios divinos dos mitos gregos para explicar a duplicidade da manifestação afrodisíaca. Pois, segundo a mitologia vigente, existiriam duas Afrodite – isto é, dois mitos (narrativas) diferentes sobre a origem da deusa. A primeira é aquela cantada por Hesíodo, em sua já citada Teogonia: quando Urano (o Céu), deus da unidade primordial, fora castrado por seu filho Cronos, uma gota de seu sêmen caiu sobre o Mar, dando origem a mais bela de todas as Deusas, Afrodite Celeste ou Urânica (isto é, nascida/pertencente aos Céus). </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E266">A outra, chamada Afrodite Pandêmica ou Terrestre, é filha de Zeus e de Dione, não sendo uma divindade primordial, mas, ainda assim, pertencente ao mundo da divindade.</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E273">Pausânias irá apresentar, portanto, a concepção de que existem duas formas de desejo erótico: um que presta suas homenagens à terra, pandêmico, e outro, celeste, fruto da Afrodite Urânica, que tem sua origem na Deusa do Céu. A distinção entre os dois amores está, principalmente, na qualidade dos mesmos. Nas palavras de Pausânias:</p>



<blockquote class="wp-block-quote"><p>“Nem todo amor é em si mesmo louvável e bom, senão só o que nos incita a amar belamente” (p. 26)</p></blockquote>



<p class="has-text-align-justify" id="E281">O código de valor para um ato de amor reside não em uma implicância moral, como é característico da sociedade ocidental pós-cristã, mas na quantidade de beleza (<em>kallós</em>) envolvida naquela ação. Beleza essa que, para os gregos, é antes de tudo uma <em>experiência</em> – o fruir da sensação de beleza (kallós) no mundo. Experiência essa que, como dádiva de Afrodite, é entendida pelos platônicos como a verdadeira expressão do sagrado no cosmos. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E281">O <em>profano</em> se transmuta no <em>divino</em> diante de um ato contemplativo da beleza – a fruição dessa beleza pode surgir a partir de um flerte amoroso, de uma conversa, de um rito, de um ofício artístico, ou o que for. Platão, a partir da percepção das diferentes <em>hipóstasis</em> (níveis de realidade) de Afrodite, está nos convidando a perceber que a experiência de <em>kallós</em> que sentimos ao ver uma pessoa realmente bonita, é de todo modo semelhante àquela existente em outras esferas da existência.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="E300"><strong>O Eros da Alma e do Corpo</strong></h3>



<p></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="547" height="418" data-attachment-id="456" data-permalink="https://olhodosoloto.org/um-banquete-ao-amor-um-dialogo-entre-platao-e-thelema-ii/fe5aba35-b5aa-4249-af80-510499f0808f/" data-orig-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/fe5aba35-b5aa-4249-af80-510499f0808f.jpg?fit=547%2C418&amp;ssl=1" data-orig-size="547,418" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="fe5aba35-b5aa-4249-af80-510499f0808f" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/fe5aba35-b5aa-4249-af80-510499f0808f.jpg?fit=300%2C229&amp;ssl=1" data-large-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/fe5aba35-b5aa-4249-af80-510499f0808f.jpg?fit=547%2C418&amp;ssl=1" src="//i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/fe5aba35-b5aa-4249-af80-510499f0808f.jpg" alt="" class="wp-image-456" srcset="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/fe5aba35-b5aa-4249-af80-510499f0808f.jpg?w=547&amp;ssl=1 547w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/fe5aba35-b5aa-4249-af80-510499f0808f.jpg?resize=300%2C229&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 547px) 100vw, 547px" /><figcaption><strong>Eros-Harpokrates</strong></figcaption></figure>



<p class="has-text-align-justify" id="E302">Para tanto, se existem diversos níveis de beleza, também o é assim para o amor. O amor terreno, pandêmico, é aquele amor fugaz, cuja beleza se restringe à do corpo – a atração física que não se sustenta com o passar do tempo, desvanecendo assim que nasce. De outro natureza é, no entanto, o Amor da Alma, quando uma alma se apaixona por outra ardentemente. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E302">Este amor se dá pela percepção de uma beleza (<em>kallós</em>) que não é meramente física, estética, ou subordinada à satisfação sexual, mas que se consolida na estabilidade de um relacionar-se entre almas. Um relacionamento que se constrói a partir de uma atração entre almas está trabalhando em um nível de Eros completamente diferente do mero Eros corpóreo: o relacionar-se torna-se uma exigência de um Desejo da Alma, não do corpo.</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E321">A capacidade de enxergar uma dimensão erótica na alma (<em>psyché</em>) levará a uma série de reflexões no mundo greco-romano, cujo exemplo mais nítido será o mito de Eros e Psyché, imortalizado na obra do theurgo e filósofo platônico Lucius Apuleius. A ideia de uma alma que deseja, que é nutrida por Eros (literalmente, tesão, libido), tem uma correspondência nítida com a noção de Verdadeira Vontade, que traduz nestes termos a potencialidade do Espírito em se envolver eroticamente com o mundo e com os elementos a ele pertencentes.</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E347">A percepção, no entanto, do erotismo psíquico inicia-se, no método platônico, a partir de uma atenção reflexiva direcionada aos instintos mais primitivos do corpo humano, àquela parte da alma que os platônicos posteriores chamarão de <em>Therion</em> (o animal, a besta presente no ser humano, a totalidade de seus desejos e afecções, conscientes ou inconscientes, relacionados ao mundo externo da corporeidade). </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E347">Uma noção bastante paralela a de <em>Nephesh</em>, cujo desenvolvimento e reflexão, a partir de uma perspectiva thelêmica, pode ser encontrada em o &#8220;<a href="http://O Ordálio de Nephesh: a escravidão da alma sensual - Oásis Quetzalcoatl | Ordo Templi Orientis">Ordálio de Nephesh: a escravidão da alma sensual</a>&#8220;. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E397">Platão também irá introduzir, através do discurso de Pausânias, a noção de insatisfação perpétua inerente ao Eros Terreno. Ao projetar-se para o ambiente externo, para o mundo dos sentidos, carente de estabilidade, em complexo devir e em profunda mutação, o desejo acaba por envolver-se em decepção, frustração:</p>



<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-right"><p>“Por indigno entendo o tipo vulgar que mais se apaixonado pelo corpo que pela alma. Tal amor é por natureza inconstante; porque, tendo por objeto a beleza efêmera do corpo, se arrefece quando a beleza decai, e corre a novas experiências, mentindo às promessas feitas” (p. 30)</p></blockquote>



<p class="has-text-align-justify" id="E402">Ao apresentar a instabilidade do desejo mundano, que muda constantemente de um objeto para outro, sempre se frustrando, Platão propõe uma terapia para os desejos através do <em>logos</em> (fala), que permite o desenvolvimento de noções como estabilidade, disciplina, autocontrole, moderação, temperança. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E402">Para escutar o Eros da Alma, o amante precisa moderar as pulsões instáveis de seu animal pessoal, servo e escravo da satisfação imediata dos sentidos. Como ele próprio afirma, convém mais ser “livre através da escravidão à virtude”.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="E415"><strong>Quando as Almas se casam: a consecução da Deusa Celeste na Vida Humana</strong></h3>



<p></p>



<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-right"><p><em>Deixai aquele estado de multiplicidade limitado e repugnante. Assim com vós todos; tu não tens direito senão fazer a tua vontade. </em></p><p><em>AL I:4</em>2</p><p><em>Também, tomai vossa plenitude e vontade de amor como vós quiserdes, quando, onde e com quem vós quiserdes! Mas sempre para mim. </em></p><p><em>AL I:51</em></p></blockquote>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="452" data-attachment-id="457" data-permalink="https://olhodosoloto.org/um-banquete-ao-amor-um-dialogo-entre-platao-e-thelema-ii/35f77792-214b-4630-881f-9651eae64951/" data-orig-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/35f77792-214b-4630-881f-9651eae64951.jpg?fit=1050%2C463&amp;ssl=1" data-orig-size="1050,463" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="35f77792-214b-4630-881f-9651eae64951" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/35f77792-214b-4630-881f-9651eae64951.jpg?fit=300%2C132&amp;ssl=1" data-large-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/35f77792-214b-4630-881f-9651eae64951.jpg?fit=688%2C304&amp;ssl=1" src="//i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/35f77792-214b-4630-881f-9651eae64951-1024x452.jpg" alt="" class="wp-image-457" srcset="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/35f77792-214b-4630-881f-9651eae64951.jpg?resize=1024%2C452&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/35f77792-214b-4630-881f-9651eae64951.jpg?resize=300%2C132&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/35f77792-214b-4630-881f-9651eae64951.jpg?resize=768%2C339&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/12/35f77792-214b-4630-881f-9651eae64951.jpg?w=1050&amp;ssl=1 1050w" sizes="(max-width: 688px) 100vw, 688px" /><figcaption><strong>Afrodite Celeste, em afresco romano, Pompeia</strong></figcaption></figure>



<p class="has-text-align-justify" id="E426">A imagem proposta por Platão, para ressaltar a concretização dos dois tipos de amor, é a oposição entre o amor fugaz, com vistas apenas ao uso do outro para própria satisfação, à instituição do casamento, o sacramento da estabilidade. O parto da Afrodite Celeste, a Deusa dos Céus, se dá na disciplina do casamento, que envolve uma dinâmica de renúncia e comprometimento. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E426">Pausânias, personagem que personifica no diálogo um administrador da cidade, preocupado especificamente com a estabilidade das relações humanas, em diversos momentos enfatiza a longa jornada necessária para a concretização de um relacionamento sólido entre dois. Se Fedro, um jovem guerreiro, abre o seu discurso ao Eros como uma adoração ao elemento ígneo presente no ato de amor, personificando-o no flamejante e ardente Aquiles como ideal de homem erótico, Pausânias irá nos apresentar o sacramento da terra, a potência da estabilidade, e seu avatar erótico, diferente de Aquiles, será o ser humano casado, aquele que adquiriu a consecução erótica através da estabilidade. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E426">Como Urano e Gaia, ele se tornou parte do eterno casamento das coisas – construiu com anos de esforço e labor um altar em sua vida à Afrodite Celeste.</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E440">Aos que trilham o caminho iniciático à luz da filosofia de Thelema, podemos transpor a simbologia para o próprio plano da consecução espiritual, não somente das relações humanas. A possibilidade de se pensar um amor divino, que emana das profundezas libidinosas da alma, filho da Deusa que habita os céus, nos convida a perceber a dimensão erótica como parte do próprio corpo de Nuit, nossa Afrodite Celeste. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E440">O casamento, entendido como resultado de uma disciplina e um refinamento do Eros terreno, um constante atentar-se para o sacramento da estabilidade, pode ser entendido como o próprio <em>Ordálio de Nephesh</em>, a preparação para a consumação do casamento estelar, a conjunção com o Santo Anjo Guardião e a dedicação religiosa a uma vida dedicada ao exercício da <a href="https://olhodosoloto.org/a-luz-e-so-uma-plotino-e-a-verdadeira-vontade/">Verdadeira Vontade</a>. Para aqueles que tomam o caminho espiritual não como um flerte, mas como um casamento, Platão nos ensina a duvidar de nossos próprios desejos, na mesma medida em que nos convida a perceber dimensões mais profundas dos mesmos.</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E464">O discurso de Pausânias aprofunda o de Fedro, realizando a primeira jornada da escada erótica platônica. De um Eros não elaborado, reativo e corpóreo, somos convidados a atravessar a senda de Malkuth para perceber a dimensão erótica a partir de um novo olhar, mais reflexivo e para além da imediatez dos sentidos, penetrando na dimensão psíquica. Nos próximos discursos, a escada se estenderá cada vez mais, até atingir o ápice de sua consecução com o discurso da Sacerdotisa Sagrada do Amor, Diotima, amante e mestra de Sócrates, o maior de todos os filósofos e o mais religioso devoto do Deus do Amor.</p>



<p id="E478"><em>Frater Nihil</em></p>
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		<title>Um Banquete ao Amor: um diálogo entre Platão e Thelema &#8211; I</title>
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		<dc:creator><![CDATA[olhodoso]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Oct 2020 17:47:41 +0000</pubDate>
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<h3 class="wp-block-heading">Parte I: Fedro e a Virtude Heróica</h3>



<p></p>



<p class="has-text-align-justify"><em>Amor é a lei, amor sob vontade.</em> Quando o Livro da Lei conclama estas palavras, e nós Thelemitas as repetimos, estamos nos inserindo dentro de uma longa tradição que enxerga um vínculo indissociável entre a <strong>experiência de mundo erótica</strong> e a <strong>consecução espiritual</strong>. Para tanto, somos levados à perceber determinadas semelhanças entre a mensagem do Liber AL, aquilo que experienciamos em nossas vidas diárias, e outras tradições espirituais ao redor do globo. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="677" height="453" data-attachment-id="427" data-permalink="https://olhodosoloto.org/um-banquete-ao-amor-um-dialogo-entre-platao-e-thelema/6c18c08e-f4ad-4354-ad47-3b5fa62142bb/" data-orig-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/6c18c08e-f4ad-4354-ad47-3b5fa62142bb.jpg?fit=677%2C453&amp;ssl=1" data-orig-size="677,453" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="6c18c08e-f4ad-4354-ad47-3b5fa62142bb" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/6c18c08e-f4ad-4354-ad47-3b5fa62142bb.jpg?fit=300%2C201&amp;ssl=1" data-large-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/6c18c08e-f4ad-4354-ad47-3b5fa62142bb.jpg?fit=677%2C453&amp;ssl=1" src="//i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/6c18c08e-f4ad-4354-ad47-3b5fa62142bb.jpg" alt="" class="wp-image-427" srcset="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/6c18c08e-f4ad-4354-ad47-3b5fa62142bb.jpg?w=677&amp;ssl=1 677w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/6c18c08e-f4ad-4354-ad47-3b5fa62142bb.jpg?resize=300%2C201&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 677px) 100vw, 677px" /></figure>



<p class="has-text-align-justify">Neste sentido, nos sobressalta aos olhos a experiência filosófica e espiritual do <strong>platonismo</strong>, um sistema filosófico claramente erótico, com diversos níveis de refinamento da experiência do Eros, o Deus do Amor. </p>



<p class="has-text-align-justify">Nestes artigos realizaremos uma aproximação – um diálogo – entre a noção de <em>Eros</em> (Amor) apresentada no <em>Banquete de Platão</em> com a filosofia de Thelema. Procuraremos não somente descrever semelhanças e/ou diferenças, mas ter um engajamento criativo com ambas as propostas, apontando pontos de experimentação e reflexão do mistério erótico-platônico, e como podemos aplicá-lo na nossa jornada thelêmica.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que é um diálogo platônico?</strong></h3>



<p></p>



<p class="has-text-align-justify">Infelizmente não temos espaço o suficiente para descrever as inúmeras nuances de um diálogo platônico. Basta ter em mente, no momento, o que já apontamos no artigo <a rel="noreferrer noopener" href="https://olhodosoloto.org/a-luz-e-so-uma-plotino-e-a-verdadeira-vontade/" target="_blank">A Luz é só Uma: Plotino e a Verdadeira Vontade</a>, sobre filosofia antiga ser entendida como um modo de vida, uma atitude reflexiva que implica em uma práxis, um engajamento contemplativo no mundo. </p>



<p class="has-text-align-justify">Neste sentido, a filosofia antiga não busca uma explicação teórica da natureza da realidade, meramente especulativa, um corpo de conceitos que dialogue somente com as faculdades racionais do ser humano. Ela busca uma transfiguração completa da personalidade – o filósofo busca ser tocado filosoficamente por todas as partes de sua alma. No caso de Platão, em que a filosofia é feita principalmente através da oralidade, um diálogo platônico tem por fim conduzir todas as esferas do nosso ser (racional, emocional/ardente, desejante) em um relacionamento íntimo com o objeto tratado. </p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" data-attachment-id="428" data-permalink="https://olhodosoloto.org/um-banquete-ao-amor-um-dialogo-entre-platao-e-thelema/9bfa59f9-d0b9-4896-b41f-05edc54e10f9/" data-orig-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/9bfa59f9-d0b9-4896-b41f-05edc54e10f9.jpg?fit=512%2C266&amp;ssl=1" data-orig-size="512,266" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="9bfa59f9-d0b9-4896-b41f-05edc54e10f9" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/9bfa59f9-d0b9-4896-b41f-05edc54e10f9.jpg?fit=300%2C156&amp;ssl=1" data-large-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/9bfa59f9-d0b9-4896-b41f-05edc54e10f9.jpg?fit=512%2C266&amp;ssl=1" src="//i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/9bfa59f9-d0b9-4896-b41f-05edc54e10f9.jpg" alt="" class="wp-image-428" width="613" height="318" srcset="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/9bfa59f9-d0b9-4896-b41f-05edc54e10f9.jpg?w=512&amp;ssl=1 512w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/9bfa59f9-d0b9-4896-b41f-05edc54e10f9.jpg?resize=300%2C156&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 613px) 100vw, 613px" /></figure>



<p class="has-text-align-justify">Por isso, em Platão encontramos uma filosofia dramática, teatral, com personagens e cenários, que visam erotizar não somente a razão, mas todas as partes do indivíduo. A função de um texto como o Banquete é, portanto, tornar o indivíduo plenificado e preenchido, em todo o seu ser, com o tema a ser tratado – isto é, com a experiência do Deus Eros e do mistério do Amor. A função do Banquete é ser uma atividade contemplativa, no qual os vários pontos do texto permitem ao leitor uma contemplação integral da divindade. É, em termos <em>theurgicos</em>, um rito de invocação: pois ambiciona invocar na alma do leitor a experiência da divindade. O Banquete, portanto, é um texto com um tom especial, que deve ser lido por cada leitor em sua interioridade para uma experiência integral da divindade nele contida.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Banquete Erótico</strong></h3>



<p></p>



<p class="has-text-align-justify" id="E164">O Banquete se passa durante um festival do Deus Dioniso, no qual Agathon comemora, junto de seus amigos, em um Banquete, ter sido premiado como o melhor trágico do ano. Em sua residência, permeado por uma ambiência erótica e dionisíaca, reúnem-se vários personagens, entre eles um jovem belíssimo (Fedro), um político (Pausânias), um comediógrafo (Aristófanes), um médico (Eurixímaco), um tragediógrafo (Agathon) e um filósofo (Sócrates). Cada um deles irá tecer um elogio ao amor de acordo com sua visão de mundo, enaltecendo os inúmeros aspectos do Eros. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E164">O diálogo, no entanto, serve também como uma escada contemplativa, que se inicia em Fedro e, através do discurso de cada personagem vai atingindo um nível mais elevado de compreensão do Eros, terminando com o discurso de Sócrates que é, na verdade, o discurso de Diotima, uma sacerdotisa dos mistérios gregos iniciada na arte do amor. Cada discurso é, portanto, um degrau dentro da contemplação; o cume contemplativo, que se dá em Sócrates, realiza a experiência máxima do Amor. Ele aniquila e reintegra os demais na sua apreciação do Deus. Sua escada é uma alusão aos mistérios gregos, capazes de prover uma efetiva iniciação erótica.</p>



<p id="E170">O que está sendo contemplado pelos presentes é o Eros, o Deus do Amor. Amor este que tem conotações profundamente sexuais. Eros é o Deus do Desejo, do Sexo, do Tesão, da Libido, da Vontade. Durante o livro, várias faces do Amor são apresentadas. O primeiro a discursar é Fedro, amante de Agatão e apreciador do amor enquanto pulsão de vida homérica e heróica.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="E175"><strong>Discurso de Fedro: os Deuses também transam</strong></h3>



<p></p>



<p class="has-text-align-justify" id="E177">O primeiro discurso que emerge das profundezas do Banquete é o de Fedro que, inspirado pelos antigos poetas gregos, conclama aos presentes as primícias de Eros perante todos os outros deuses. Eros é, como bem canta o poeta Hesíodo, um deus primordial, antecedendo todos os cosmos (isto é, ordenamentos) divinos conhecidos pelos gregos: o cosmos de Urano-Gaia, o cosmos de Cronos, o cosmos de Zeus. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E177">Não são só os homens que são afetados pelo Eros (e nisto está presente uma grande sabedoria do pensamento grego): o mundo divino é, também, um mundo <em>erótico. </em>Todos os deuses participam do Eros, desejando uns aos outros, e é a hierogamia (isto é, cópula sagrada – <em>hieros gamia</em>) dos deuses a força matriz responsável pela totalidade da realidade – seja ela divina, humana ou animal. No primeiro ordenamento (<em>cosmos</em>) da teogonia grega, isto é, no cosmos de Urano e Gaia, Eros já estava presente, impulsionando no Céu (Urano) o desejo ardente pela Terra (Gaia), um Eros tão insaciável que não permitia a existência de mais nada – pois como Urano nunca se afastava de sua consorte, não havia espaço para existência desses filhos, isto é, para uma nova realidade emergir. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E177">Assim também ocorre com seus sucessores (Cronos e Zeus) que, através do Eros, determinam a natureza da realidade que será governada por eles. Ou seja, o cosmos grego é um <strong>cosmos erótico</strong>; a interdependência entre as partes da totalidade é, em si, de natureza hierogamica, isto é, sexual.</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E192">É por este motivo que Hesíodo coloca Eros como um dos quatro Deuses Primordiais, acompanhado do Caos, Gaia e Tártaro, que antecedem a todos os outros seres, sejam eles titãs, deuses, humanos, daimons, heróis, etc. Se o mundo dos deuses funciona a partir de uma lei, esta com certeza é regida pelo Amor (Eros). O existir é uma grande hierogamia, e é nisto que consiste a primícias de Eros sobre todas as outras divindades. Fedro deixa subentendida estas relações quando afirma, logo no começo de seu discurso, que </p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p>“<em>Grande Deus é o Eros, digno da admiração dos homens e dos deuses, por muitos e vários motivos, entre os quais não é dos menores o de sua gênese, que o coloca no número dos mais antigos deuses. Não teve pai, nem mãe, nem o nome dos que o geraram é representado por nenhum poeta</em>”. </p></blockquote></figure>



<p class="has-text-align-justify" id="E192">Eros não pode, obviamente, ter pai nem mãe, porque a própria geração produzida pela relação entre o masculino e o feminino é um produto de Eros. Ele é, portanto, anterior a toda geração – o mais primordial, neste sentido, entre todos os deuses.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="E198"><strong>Eros e a pulsão heroica</strong></h3>



<p></p>



<p class="has-text-align-justify" id="E200">A atuação do Eros não se restringe ao mundo da divindade: ela perpassa o mundo dos seres humanos sendo, segundo Fedro, “o maior de todos os bens”. Isto porque o amor é, de todas as forças da vida, àquela que impulsiona de modo mais eficaz os indivíduos à busca da sua própria excelência. O Eros é a força heroica que convoca o ser humano à Andreia, isto é, à coragem existencial diante do mundo, clamando-o a dar a totalidade de seu ser no cálice da vida, a exaurir o seu máximo potencial no existir. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E200">O Amor é, para Fedro, o verdadeiro impulsionar da força e do calor humano, aquilo que torna possível o impossível, que permite aos seres humanos que transcenderam toda a sua gama de potencialidades. É somente por amor que lutamos até a nossa extinção, que excedemos os nossos limites, que podemos esquecer de nós mesmos diante da força produzida pelo ato de amar. Um indivíduo apaixonado, tomado pela combustão erótica, é alguém capaz de atravessar o abismo da impossibilidade em busca da sua máxima excelência. Virtude essa que, para o mundo heroico dos gregos, é a marca de uma vida afirmativa, que não se esconde diante do caos, mas que abraça perigosamente cada segundo de seu existir, exaurindo a si mesmo, alcançando a <em>areté</em> (excelência). É por amor que um guerreiro torna-se excelente na guerra; um médico na arte divina da cura; e um artesão na consecução de seu ofício. Ele convoca cada ser humano a dar o seu máximo em seu existir, exaurindo todas as possibilidades:</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>“Se pudesse acontecer, por obra de encantamento, que uma cidade ou exército só contivesse em seu seio amantes e amados, seria impossível que tal exército ou cidade não encontrasse neles a máxima garantia de sua prosperidade (&#8230;) Nos combates, tais soldados, ainda que em apoucado número, venceriam, por assim dizer, a humanidade inteira”</em></p><cite>Discurso de Fedro, p.6</cite></blockquote></figure>



<p class="has-text-align-justify" id="E216">O Amor é a combustão por detrás do ideal, tão presente na Ilíada e na Odisseia, do herói grego, daquele que – diante da finitude da existência – não procura válvulas de escape ou de negação da realidade, mas que aceita o mundo na maneira como ele se apresenta e, tomado pela <em>pulsão de vida</em>, clama por mais vida, pela experiência de intensidade em cada momento. É somente quando amamos algo (ou alguém) que adquirimos a intensidade necessária para aceitar a vida como ela realmente é e, dentro do perigo do existir, vivemos o mundo de modo apaixonado, como se cada segundo fosse o nosso último. Este é o ideal da Grécia Homérica, que enxerga nos heróis gregos homens imperfeitos, repletos de falhas morais, mas que viveram a vida e os conflitos que ela pode oferecer com excelência, sacrificando a si mesmos no instante presente.</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E222">Fedro vai ainda mais longe e afirma categoricamente que o Amor é a única força capaz de fazer um indivíduo transcender o seu instinto mais primário – o de sobrevivência. O amante é aquele que está disposto a morrer em nome do Amor. Esta força é tão voraz que a única capaz de fazermos perceber algo para além do eu, uma vida para além da vida – é somente por um ato de Amor que o homem pode cair no beijo da aniquilação, no não mais existir. É somente pelo Amor que ele pode ser conduzido para fora de seu medo e conforto, abraçando a realidade apaixonadamente. Lembremos:</p>



<blockquote class="wp-block-quote"><p><em>“Beleza e força, riso espontâneo e delicioso langor, força e fogo, são de nós”</em></p><cite>AL II: 20</cite></blockquote>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="1024" data-attachment-id="431" data-permalink="https://olhodosoloto.org/um-banquete-ao-amor-um-dialogo-entre-platao-e-thelema/f3b4d301-434b-4cdb-a168-b3138b1ea270-1/" data-orig-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/f3b4d301-434b-4cdb-a168-b3138b1ea270-1.jpg?fit=1200%2C1200&amp;ssl=1" data-orig-size="1200,1200" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="f3b4d301-434b-4cdb-a168-b3138b1ea270-1" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/f3b4d301-434b-4cdb-a168-b3138b1ea270-1.jpg?fit=300%2C300&amp;ssl=1" data-large-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/f3b4d301-434b-4cdb-a168-b3138b1ea270-1.jpg?fit=688%2C688&amp;ssl=1" src="//i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/f3b4d301-434b-4cdb-a168-b3138b1ea270-1-1024x1024.jpg" alt="" class="wp-image-431" srcset="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/f3b4d301-434b-4cdb-a168-b3138b1ea270-1.jpg?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/f3b4d301-434b-4cdb-a168-b3138b1ea270-1.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/f3b4d301-434b-4cdb-a168-b3138b1ea270-1.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/f3b4d301-434b-4cdb-a168-b3138b1ea270-1.jpg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/f3b4d301-434b-4cdb-a168-b3138b1ea270-1.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w" sizes="(max-width: 688px) 100vw, 688px" /></figure>



<p class="has-text-align-justify" id="E233">Fedro realiza a homenagem de Aquiles, o ardente, colérico, fogoso e forte herói aqueu que encontrou a morte em campo de batalha, procurando vingar a morte de seu amado Patroclo. Aquiles, de antemão, sabia através de uma profecia que, se lutasse na Guerra de Tróia, iria morrer jovem, mas com honra (<em>areté</em>); se não lutasse, pelo contrário, retornando à Grécia, viveria uma vida plenamente confortável até a sua velhice. </p>



<p>Quando sabe da morte de Patroclo, no entanto, Aquiles abdica da própria vida em nome do Amor, se juntando ao exército grego contra os troianos para vingar Pátroclo, e sendo morto no meio do caminho pela flecha de Paris, o abençoado de Afrodite. É o aniquilar-se em nome do Amor que faz de Aquiles o herói grego mais notório da história: renunciou a tudo aquilo que não amava para se exaurir diante da chama do amor.</p>



<blockquote class="wp-block-quote"><p><em>“Eu sou a chama que queima em todo coração do homem e no núcleo de toda estrela. Eu sou Vida e o doador da Vida, no entanto, o conhecimento de mim é o conhecimento da morte.”</em></p><cite>AL II:6</cite></blockquote>



<p class="has-text-align-justify" id="E240">O dilema confrontado por Aquiles, entre viver uma vida confortável até a velhice, ou extinguir-se por amor realizando o sentido de sua existência, lembra, e muito, aquilo que nós Thelemitas somos chamados a obrar. Quantos de nós não somos constantemente assaltados pelo mesmo dilema: viver uma vida confortável ou realizar nossa Verdadeira Vontade, o sentido do meu existir? </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="794" height="596" data-attachment-id="430" data-permalink="https://olhodosoloto.org/um-banquete-ao-amor-um-dialogo-entre-platao-e-thelema/4661a3ae-9847-493e-a663-a1403cf99f18/" data-orig-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/4661a3ae-9847-493e-a663-a1403cf99f18.jpg?fit=794%2C596&amp;ssl=1" data-orig-size="794,596" data-comments-opened="0" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="4661a3ae-9847-493e-a663-a1403cf99f18" data-image-description="" data-image-caption="" data-medium-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/4661a3ae-9847-493e-a663-a1403cf99f18.jpg?fit=300%2C225&amp;ssl=1" data-large-file="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/4661a3ae-9847-493e-a663-a1403cf99f18.jpg?fit=688%2C516&amp;ssl=1" src="//i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/4661a3ae-9847-493e-a663-a1403cf99f18.jpg" alt="" class="wp-image-430" srcset="https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/4661a3ae-9847-493e-a663-a1403cf99f18.jpg?w=794&amp;ssl=1 794w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/4661a3ae-9847-493e-a663-a1403cf99f18.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/olhodosoloto.org/wp-content/uploads/2020/10/4661a3ae-9847-493e-a663-a1403cf99f18.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 688px) 100vw, 688px" /></figure>



<p class="has-text-align-justify" id="E240">É somente o amor, responde Homero, é que é capaz de tirar um ser humano da sua nulidade para exaltá-lo a realizar a sua Vontade (<em>Thelema</em>). Quantos Pátroclos estamos deixando abandonados em campos de batalha todos os dias que escolhemos não manifestar a nossa Vontade? Ou melhor: qual é o Pátroclo do meu existir, aquilo que arde tão forte em mim que é capaz de me fazer transcender a mim mesmo, ao meu próprio eu, a me aniquilar em nome do Amor?</p>



<figure class="wp-block-pullquote"><blockquote><p><em>Escreve, &amp; encontra êxtase na escrita! Trabalha, &amp; sê nossa fundação o trabalhar! Freme com a alegria da vida &amp; morte! Ah! tua morte será amável; quem a vir ficará contente. Tua morte será o selo da promessa de nosso amor de longa era. Vem! ergue teu coração &amp; rejubila! Nós somos um; nós somos nenhum. </em></p><cite>AL II: 66</cite></blockquote></figure>



<p class="has-text-align-justify" id="E252">Aquiles é aquele que se aniquila durante o ato de Amor, nos braços de seu amado e que, por isso, ganhou um canto para celebrar o seu feito &#8211; o mais influente poema da literatura ocidental. A Ilíada é a história de um homem que decidiu abdicar de sua própria vida em nome do Amor. Que possamos nós, a cada momento, nos aniquilarmos na realização de nossa Verdadeira Vontade. E que, se tivermos dúvidas, lembremos que a história de um ser humano que realiza a sua Verdadeira Vontade é sempre uma história de Amor – passível de ser cantada por milênios em um poema. Se assim não o for, para o Inferno com eles!</p>



<p class="has-text-align-justify" id="E255">Platão, através da boca de Fedro, está exaltando o Eros como a pulsão de vida máxima, a força motriz por trás do ideal heroico. É este conjunto de atitudes heroicas diante da vida que Nietzsche procura recuperar em seu tempo, como remédio para uma sociedade tão adoecida como a Europa do século XIX, e que me parece ser um dos fundamentos mais arrebatadores da Lei de Thelema: <strong>o reencontro com a capacidade de se (re)apaixonar pela vida</strong>. </p>



<p class="has-text-align-justify" id="E255">Encerro o texto com uma citação do <em>Assim Falou Zaratustra</em> (1885), em que Nietzsche, filólogo amante de Homero, adequa o ideal heroico à sua percepção do Super-homem, aquele capaz de transcender a si mesmo. Que possamos ver o eco de Fedro e do seu Discurso do Amor na obra de um dos mais apaixonantes defensores de uma filosofia dionisíaca, inspirada na força heroica:</p>



<blockquote class="wp-block-quote"><p><em>“Eu só amo aqueles que sabem viver como que se extinguindo, porque são esses os que atravessam de um para o outro.</em></p><p><em>Amo os grandes desdenhosos, porque são os grandes adoradores, as setas do desejo ansiosas pela outra margem.</em></p><p><em>Amo o que ama a sua virtude, porque a virtude é vontade de extinção e uma seta do desejo.</em></p><p><em>Amo o que não reserva para si uma gota do seu espírito, mas que quer ser inteiramente o espírito da sua virtude, porque assim atravessou a ponte como espírito.</em></p><p><em>Amo o que faz da sua virtude a sua tendência e o seu destino, pois assim, por sua virtude, quererá viver ainda e deixar de viver.”</em></p><cite>Preâmbulo de Zaratustra, IV</cite></blockquote>



<p id="E276"></p>



<blockquote class="wp-block-quote"><p><em>“De tudo quanto pode ajudar aos homens que querem viver belamente a vida inteira – vínculos do sangue, dignidade, riquezas – nada no mundo pode, como o Amor, fazer nascer a beleza”.</em></p><cite>Discurso de Fedro</cite></blockquote>



<p><em>Frater Nihil</em></p>
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